O que há por trás dos ataques de Paris?

A resposta imediata diante dos trágicos eventos de Paris quase sempre é a mesma: “alguém tem que parar esses caras!”.

A maioria das pessoas pensa logo em guerra, e eu também pensei. Guerra é o que a tv mostra, guerra vende jornal, vende arma, guerra pode até ser uma solução para enfrentar o Estado Islâmico, mas não para acabar com o terrorismo. Guerra gera instabilidade, divisão, gera conflito, ódio, rancor e é exatamente isso que os terroristas querem.

paris
Foto: Etienne Laurent

Mas ao olhar por trás deste cenário óbvio de reação militar, logo verá que existem questões muito mais complexas do que simplesmente declarar guerra.

É preciso se perguntar de onde vem as armas dos terroristas? Como é possível transportar fuzis, carregadores e munições em plena Europa em 2015?

Segundo pesquisa do Conflict Armament Research, 80% do armamento do Estado Islâmico veio dos EUA, Rússia e China.

Os grupos que hoje promovem o terror no mundo são os mesmos que essas grandes potências armaram no passado para combater seus rivais.

Atualmente Estados Unidos e Rússia atuam em lados diferentes no conflito da Síria e continuam armando as milícias. Obama tenta enfraquecer o E.I., Putin ataca os opositores de Bashar al-Assad. O resultado: um país dividido, arrasado, deixando um vazio de poder que abre espaço para os extremistas e expulsa milhares de pessoas de sua terra natal para se tornarem refugiados em algum lugar da Europa.

Guerra gera guerra.

É evidente que a reação imediata de declarar guerra não pode ser a única forma de lutar contra o Estado Islâmico. Guerra é o que os terroristas querem, guerra vai aflorar o xenofobismo, fortalecer a extrema direita, fechar as fronteiras e isso é tudo o que não pode acontecer. Agravar as diferenças culturais resulta em mais exclusão, e esses excluídos são as fontes de recrutamento dos radicais.

Dos 7 terroristas, 4 eram franceses, 2 sírios e o líder belga. A pergunta é por que jovens com menos de 30 anos, que vivem em um país de primeiro mundo, com um bom sistema educacional e um dos melhores modelos de seguridade social do mundo convertem-se à lei islâmica e se tornam soldados? A resposta: eles são seduzidos pela propaganda terrorista.

Os inimigos não estão fora, estão dentro. Jovens fragilizados, sem oportunidades e sem se sentir parte da sociedade se tornam alvos fáceis para os recrutadores e com nada a perder, aliam-se à Jihad.

A guerra é muito maior que as bombas, balas e drones, ela supera o conflito político que foi a Guerra Fria, ela é uma guerra de inclusão, de aceitação, de queda de fronteiras, de acolhimento de refugiados, de respeito às ideologias, de valorização das culturas e de entendermos que as barreiras são criações humanas e que a Terra é uma só.

É necessário haver uma resposta militar sim, mas a guerra de verdade é a guerra da mídia, é mostrar ao mundo, à todas as religiões e nacionalidades que todos são bem-vindos e aceitos como são em qualquer lugar. Que somos uma só nação.

Enquanto houver opressão e discriminação a propaganda radical irá triunfar, como forma de acolher os excluídos.

Nem Estados Unidos, nem Rússia, nem França, nem Reino Unido, nem qualquer exército do mundo poderá lutar contra um inimigo invisível. A única forma de vencer esta guerra é abrindo os olhos.

Esta não é uma guerra de armas, é uma guerra de valores humanos.


Por Alonso Alves Pereira Neto

Se você gostou deste artigo, clique aqui para acompanhar Cocriando Valor e receber conteúdos exclusivos sobre inovação e transição.

Cocriando Valor

 

Anúncios

Um comentário sobre “O que há por trás dos ataques de Paris?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s